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  • 13:42
  • 27/02

População chilena está em choque, mas não em pânico após terremoto

Meu nome é Joanna Helm, sou arquiteta, gaúcha, e moro desde 2005 na Argentina. Devo me mudar para Santiago para trabalhar, por isso estava na cidade, no bairro de Providencia.

Eu estava dormindo (era 4h30), quando ouvi as janelas tremendo. Por um instante o ruído minimizou alguns segundos e depois voltou com mais força.

Éramos 4 pessoas no 3° andar do edificio, esperamos o tremor passar. Particularmente me preocupava o movimento do prédio e se a estrutura aguentaria tanto tempo de movimento porque escutávamos os transformadores explodindo e os vidros quebrando-se.

Quando saimos do edificio, vimos que havia muito vidro quebrado e escombros dos revestimentos das fachadas nas calçadas. Todos estavam muito nervosos, os vizinhos - a maioria pesoas de idade - muito assustados.

Ficamos fora do predio por 2 horas escutando o rádio do carro, para saber aonde havia sido o epicentro, e quando nos pareceu seguro (e por sorte a luz voltou), regressamos ao apartamento, e começamos a preparar-nos para as réplicas. As mochilas ficaram ao lado da porta, com telefones, dinheiro, água, tudo que fosse necessário caso acontecesse algo mais grave depois.

Quando os canais de TV chilenos entraram no ar, as informações eram desencontradas e muito recentes, de 6 mortos, logo eram 20 e logo depois 60. Quando amanheceu e pudemos ver como estava o prédio, vimos muitas rachaduras, vidros quebrados, lustres que cairam, e partes da estrutura do prédio danificadas.

Na rua, nas primeiras horas, vimos uma grande movimentação de bombeiros e de ambulâncias, poucos carros e muitas pessoas caminhando nas ruas indo ao encontro de seus entes. A orientação do governo é para não sair de casa caso não seja necessário.


O Chile está preparado para terremotos, pois é um país que concentra 80% dos terremotos no mundo, as construções são antisismicas e há pouco noticiaram que o movimento tectônico deste terremoto foi 7 vezes mais forte que o do Haiti. Considero que apesar das vidas perdidas e das perdas materiais a resposta do governo nacional foi automática, a presidenta e os ministros a cada hora estão instruindo a população, o corpo de bombeiros (que são voluntários aqui) é muito eficaz. Eles possuem um planejamento para este tipo de situação, e a população sabe como atuar em caso de sismos ,terremotos ou tsunamis, porque é parte da realidade do país.

As pessoas parecem em choque, mas não em pânico. Estão todos muito preocupados com as informações de novas réplicas e alertas de tsunami. No sul, na 7ª e 8ª regiões existem muitos desabrigados, principalmente em Concepcion e arredores. As telecomunicações estão colapsadas e com a queda de pontes e viadutos as estradas estão bloqueadas então a ajuda e os resgates se fazem mais difíceis.


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